{"id":516,"date":"2016-06-28T20:50:07","date_gmt":"2016-06-28T19:50:07","guid":{"rendered":"http:\/\/miguelpimentadealmeida.pt\/?p=516"},"modified":"2016-06-28T20:50:07","modified_gmt":"2016-06-28T19:50:07","slug":"a-crise-economica-e-financeira-e-a-alteracao-anormal-das-circunstancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miguelpimentadealmeida.pt\/artigos\/2016\/06\/28\/a-crise-economica-e-financeira-e-a-alteracao-anormal-das-circunstancias\/","title":{"rendered":"Jurisprud\u00eancia: A crise econ\u00f3mica e financeira e a altera\u00e7\u00e3o anormal das circunst\u00e2ncias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 4463\/14.9TBVNG-A.P1 do Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o do Porto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">I &#8211; No instituto de resolu\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o do contrato, previsto no artigo 437.\u00ba do C\u00f3digo Civil, baseado na altera\u00e7\u00e3o an\u00f3mala das circunst\u00e2ncias, confrontam-se dois princ\u00edpios: o da autonomia privada, que imp\u00f5e o cumprimento pontual do contrato, e o da boa f\u00e9, que visa assegurar o equil\u00edbrio das presta\u00e7\u00f5es de modo a que a uma das partes n\u00e3o seja imposta uma desvantagem desproporcionada que favore\u00e7a a contraparte.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">II &#8211; <strong>A crise econ\u00f3mica e financeira<\/strong> dos anos de 2008 e 2009, desencadeada pela chamada <i>crise do<\/i> <i>subprime<\/i>, iniciada em 24 de julho de 2007 com a queda abrupta do \u00edndice <i>Dow Jones,<\/i><strong> poder\u00e1 representar uma altera\u00e7\u00e3o anormal das circunst\u00e2ncias presentes ao tempo da conclus\u00e3o dos diversos contratos celebrados<\/strong>, como tem sido defendido por alguma doutrina e jurisprud\u00eancia.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">III &#8211; Provando-se que entre o exequente (entidade banc\u00e1ria) e os executados, existem rela\u00e7\u00f5es contratuais desde 2007, ano em que celebraram um \u201cContrato de Empr\u00e9stimo sob a Forma de Abertura de Cr\u00e9dito\u201d, com conta corrente caucionada, que em novembro de 2012 as partes celebraram um novo contrato, denominado \u201cContrato de Empr\u00e9stimo sob a Forma de M\u00fatuo com Aval\u201d, nos termos do qual o exequente concedeu \u00e0 executada um \u201cempr\u00e9stimo no montante de \u20ac 500.000,00, sob a forma de m\u00fatuo, tendo por finalidade a liquida\u00e7\u00e3o, pagamento e respetivo cancelamento da Conta Corrente Caucionada\u201d, que no \u00e2mbito deste \u00faltimo contrato foi emitida a livran\u00e7a dada \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, que as partes vieram a celebrar um aditamento ao novo contrato em abril de 2013 e que o incumprimento ocorreu em junho de 2013, dever\u00e1 entender-se inaplic\u00e1vel \u00e0 situa\u00e7\u00e3o descrita, o instituto previsto no artigo 437.\u00ba do C\u00f3digo Civil, dado que o ambiente econ\u00f3mico do ano de 2007 era muito diferente do que se vivia no final do ano de 2012 (ano da data de celebra\u00e7\u00e3o do contrato no \u00e2mbito do qual foi assinada e entregue a livran\u00e7a que constitui o t\u00edtulo executivo).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.dgsi.pt\/jtrp.nsf\/56a6e7121657f91e80257cda00381fdf\/17a62bbe9ddc10a880257fd4003d279c?OpenDocument\">Ler o ac\u00f3rd\u00e3o\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 4463\/14.9TBVNG-A.P1 do Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o do Porto I &#8211; 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