{"id":345,"date":"2015-11-25T12:49:00","date_gmt":"2015-11-25T11:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/miguelpimentadealmeida.pt\/?p=345"},"modified":"2015-11-25T12:49:00","modified_gmt":"2015-11-25T11:49:00","slug":"boletim-de-matricula-nao-e-titulo-executivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miguelpimentadealmeida.pt\/artigos\/2015\/11\/25\/boletim-de-matricula-nao-e-titulo-executivo\/","title":{"rendered":"Jurisprud\u00eancia: Boletim de matr\u00edcula n\u00e3o \u00e9 t\u00edtulo executivo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jurisprud\u00eancia:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>(do site\u00a0www.lexpoint.pt)<\/p>\n<p>Boletim de matr\u00edcula \u00e9 t\u00edtulo executivo? &#8211;\u00a0Em an\u00e1lise boletim de matr\u00edcula em curso pago a presta\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"Text\">O Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa (TRL) decidiu que n\u00e3o constitui t\u00edtulo executivo v\u00e1lido o boletim de matr\u00edcula assinado pela executada, atrav\u00e9s do qual esta se tenha matriculado num curso pago a presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"Text\">\n<strong>O caso<\/strong><\/p>\n<p class=\"Text\">Em fevereiro de 2013, uma empresa intentou uma a\u00e7\u00e3o executiva para cobran\u00e7a da totalidade das presta\u00e7\u00f5es mensais de um curso no qual a executada se tinha matriculado e que n\u00e3o tinham sido pagas.<\/p>\n<p class=\"Text\">Para o efeito apresentou como t\u00edtulo executivo o boletim de matr\u00edcula, assinado pela executada. Mas o tribunal entendeu que esse documento n\u00e3o reunia os requisitos necess\u00e1rios para constituir t\u00edtulo executivo v\u00e1lido e indeferiu liminarmente o requerimento executivo.<\/p>\n<p class=\"Text\">Discordando dessa decis\u00e3o, a empresa recorreu para o TRL defendendo que o boletim de matr\u00edcula constitu\u00eda t\u00edtulo executivo v\u00e1lido por ser um contrato de compra e venda a presta\u00e7\u00f5es, assinado pela executada, no qual esta se obrigara a pagar o curso em v\u00e1rias mensalidades e cujo incumprimento implicara o vencimento da totalidade das presta\u00e7\u00f5es em d\u00edvida.<\/p>\n<p class=\"Text\">\n<strong>Aprecia\u00e7\u00e3o do Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa<\/strong><\/p>\n<p class=\"Text\">O TRL negou provimento ao recurso confirmando que o boletim de matr\u00edcula n\u00e3o constitu\u00eda t\u00edtulo executivo v\u00e1lido para a cobran\u00e7a das presta\u00e7\u00f5es mensais do curso que n\u00e3o tinham sido pagas.\u00a0Entendeu que o boletim de matr\u00edcula assinado pelo devedor n\u00e3o importa, diretamente, a constitui\u00e7\u00e3o ou o reconhecimento da exist\u00eancia de qualquer obriga\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, determinada ou determin\u00e1vel, pelo que n\u00e3o pode valer como t\u00edtulo executivo.<\/p>\n<p class=\"Text\">At\u00e9 setembro de 2013 a lei conferia for\u00e7a executiva aos documentos particulares assinados pelo devedor que importassem a constitui\u00e7\u00e3o ou reconhecimento de obriga\u00e7\u00f5es pecuni\u00e1rias, cujo montante fosse determinado ou determin\u00e1vel por simples c\u00e1lculo aritm\u00e9tico.<\/p>\n<p class=\"Text\">Ora, <strong>um boletim de matr\u00edcula n\u00e3o constitui qualquer declara\u00e7\u00e3o de d\u00edvida.<\/strong> Dele apenas resulta que a executada se matriculou num curso com uma entidade que ficou obrigada a ministr\u00e1-lo, n\u00e3o provando sequer que o curso tenha sido ministrado e que a executada o tenha frequentado.<\/p>\n<p class=\"Text\">Al\u00e9m de que, <strong>da resolu\u00e7\u00e3o do contrato por falta de pagamento das presta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o resulta de forma autom\u00e1tica que estas sejam de facto devidas nem que o devedor tenha reconhecido essa obriga\u00e7\u00e3o.<\/strong> N\u00e3o sendo poss\u00edvel considerar que, com a assinatura do contrato, o devedor, em caso de incumprimento, reconhe\u00e7a, implicitamente, a exequibilidade das presta\u00e7\u00f5es que o incumprimento e a resolu\u00e7\u00e3o do contrato postulavam.<\/p>\n<p class=\"Text\">Sobretudo quando o contrato apenas contenha presta\u00e7\u00f5es futuras ou a previs\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es futuras, o que obrigaria sempre a que fosse anexado documento demonstrativo da efetiva realiza\u00e7\u00e3o de alguma presta\u00e7\u00e3o ou da constitui\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o, no seguimento do que foi previsto pelas partes.<\/p>\n<p class=\"Text\">Isto porque <strong>\u00e9 necess\u00e1rio que o t\u00edtulo permita certificar a exist\u00eancia da obriga\u00e7\u00e3o que se constituiu entre as partes, pois s\u00f3 assim representa um facto jur\u00eddico constitutivo do cr\u00e9dito <\/strong>e que deve emergir do pr\u00f3prio t\u00edtulo.<\/p>\n<p class=\"Text\">N\u00e3o sendo junto tal documento complementar, que deve obedecer \u00e0s condi\u00e7\u00f5es estabelecidas no documento que constitui o t\u00edtulo base, n\u00e3o h\u00e1 prova da exist\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o dotada de for\u00e7a executiva.<\/p>\n<p class=\"Text\">\n<strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\n<a class=\"LinkText\" href=\"http:\/\/www.lexpoint.pt\/Default.aspx?PageId=128&amp;ContentId=64349\">Ac\u00f3rd\u00e3o <\/a>do Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa, proferido no processo n.\u00ba 221-13.6TBSCR.L1-8, de 8 de outubro de 2015<br \/>\nC\u00f3digo de Processo Civil, aprovado pelo Decreto-Lei n.\u00ba 44129, de 28 de dezembro de 1961, artigos 46.\u00ba n.\u00ba 1 al\u00ednea c), 50.\u00ba e 805.\u00ba<\/p>\n<p>&#8211; See more at: <a href=\"http:\/\/www.lexpoint.pt\/Default.aspx?PageId=128&amp;ContentId=64395&amp;ChannelId=11#sthash.1sjeDxFh.kwSRgsqa.dpuf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.lexpoint.pt\/Default.aspx?PageId=128&amp;ContentId=64395&amp;ChannelId=11#sthash.1sjeDxFh.kwSRgsqa.dpuf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jurisprud\u00eancia:\u00a0 (do site\u00a0www.lexpoint.pt) Boletim de matr\u00edcula \u00e9 t\u00edtulo executivo? &#8211;\u00a0Em an\u00e1lise boletim de matr\u00edcula em curso pago a presta\u00e7\u00f5es &nbsp; O Tribunal da Rela\u00e7\u00e3o de Lisboa (TRL) decidiu que n\u00e3o constitui t\u00edtulo executivo v\u00e1lido o boletim de matr\u00edcula assinado pela executada, atrav\u00e9s do qual esta se tenha matriculado num curso pago a presta\u00e7\u00f5es. 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